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Em alguns países é difícil achar lugares para connectar com o internet, especialmente quando você tem que usar o seu próprio computador. É por isso que demora um pouco para podermos dividir nossas aventuras com vocês.
Depois de Panajachel, foi só subida e descida de novo, até Antigua, Guatemala. Nosso guia turístico dizia que essa era a cidade colonial mais linda da América Central, mas na nossa opinião, não chega nem aos pés de San Cristobal de las Casas, nem em aparência, nem em atmosfera ( porém, o Mexico é considerado parte da America do Norte). Para compensar nosso desapontamento, encontramos umas pessoas bem interessantes, como Uli, um carpinteiro da Alemanha. Ele é membro de uma irmandade, cujos membros aprimoram seu ofício enquanto viajam pelo mundo. Também fomos ao museu de música maia, a Casa K'ojom. No dia seguinte saímos cedo, nos perdemos no tráfego caótico da Cidade da Guatemala, seguida de paisagens lindas e lá pelas 4 da tarde chegamos na estrada de chão que seguia para a fronteira com Honduras. Duas horas, mas apenas 40 kilometros mais tarde, chegamos na vila da fronteira, chamada El Florido e passamos pela burocracia da Guatemala. Porém, quando chegamos no lado de Honduras, já tinham fechado a fronteira e tivemos que passar a noite entre os dois países, numa terra de ninguém. Entramos Honduras as 7 da manhã e chegamos a Copán Ruinas depois de 15 kilometros de chão batido. Pela primeira vez em nossa viagem através das terras maias, visitamos uma reserva arqueológica. Passamos o dia inteiro explorando as magníficas estruturas de pedra e admirando as esculturas majesticas pelas quais Copán é famosa. Tinhamos lido sobre umas águas termais e pensamos que seria perfeito para relaxar depois de tanta caminhada. Porém era outra terrível estrada de chão e dessa vez demorou 2 horas para cobrir os 20 kilometros e nos arrependemos de fazer a Vagalosinha passar tanto trabalho. Chegamos lá bem quando estava começando a ficar escuro e relaxamos nossas preocuções nas águas fumegantes. Contudo, não conseguimos dormir descansados pois a lua só aparecia de vez em quando por detrás das nuvens carregadas e qualquer chuva iria piorar demais a condição do caminho de volta. Na manhã seguinte acordamos com a garoa que virou uma chuva fraca e que durou por meia hora. Nada a fazer senão dar outro mergulho, dessa vez nas piscinas naturais do outro lado do rio. André entrou mato a dentro e viu a água brotando do chão. Por volta do meio dia, nos aprontamos para encarar a lama, respiramos fundo e começamos a subir a trilha de concreto numa lomba bem inclinada em direção ao portão do lugar que dava para a estrada. Lá pela metade da subida, sentimos as rodas de trás derraparem e perdemos o controle da traseira que caiu pra fora da trilha e só não capotamos por que a Vagalosa ficou encostada numa cerca de arame e de pilares de concreto que corria ao lado da trilha. André teve que sair pela janela para buscar ajuda, pois a nossa única porta, do meu lado, estava imprensada contra a cerca. Nesse meio tempo, quase metade da população do vilarejo se aglomerava no portão para ver o que tinha acontecido. Era óbvio que a Vagalosa não sairia dali sozinha e que nenhum carro teria força para rebocá-la. Um cara disse que haviam tratores numa plantação de café que ficava a uma meia hora dali e ofereceu uma carona para o André, enquanto eu fiquei tentando manter o equilibrio dentro da novo centro de gravidade da Vagalosa. André voltou de trator duas horas mais tarde e depois de muito esforço, Vagalosa estava de volta a estrada, com apenas alguns arranhõezinhos e amassões. Durante a espera, cerca de trinta crianças curiosas, cercaram-na e gritando tentavam subi-la enquanto eu as chingava. Embora eles tenham nos incomodado, nós decidimos dar-lhes umas lembrancinhas para que se acalmassem, então juntamos uns lápis, moedas e cartões para distribuir. Mas assim que eles perceberam o que íamos fazer todos se atiraram para a porta da Vagalosa se espremendo uns aos outros... Nós pedimos para os caras do trator nos escoltarem através da parte mais perigosa da estrada. Depois de mais duas horas estávamos são e salvos de volta a estrada pavimentada. Passamos anoite no estacionamento de um mini shopping center e dormimos profundamente. A próxima manhã passamos limpando a lama e estreitando os amassados da Vagalosa. Lá pelas 2 da tarde nos dirigimos em direção a costa do Caribe. Chegamos em Tela as 7, estacionamos num hotelzinho caindo aos pedaços mas com um simpático dono e esbanjamos numa janta de frutos do mar bem merecida. Por estarmos os dois meio adoentados, eu com a famosa doença dos turístas (e o nosso banheiro não funciona mais) e André com uma tosse desgraçada, dormimos cedo mas para nossa frustação, acabamos sendo acordados cedo demais por um galo que certamente confundia a lua cheia pelo sol nascente. Hoje fomos para a praia depois do café, mas não era tão paradisíaca como esperavamos e por causa do excesso de pedintes e de adolescentes jogando bola de futebol na nossa cara, juntamos nossas coisas e nos encaminhamos para Tegucigalpa, a capital de Honduras. |